Região Sul / ES.,
12/1/2009
A sucessão em empresas familiares é um assunto dos mais difíceis, haja vista a sua complexidade. Eu posso dizer com toda a honestidade que é o maior desafio, pois a perenidade e o sucesso dos negócios familiares dependem diretamente dessa questão.
Qual a receita: planejamento muito bem conduzido e com válvula de escape para retorno.
A decisão de entregar uma posição de comando para um executivo profissional vai alem de uma decisão baseada em alguma leitura ou de se escutar algum consultor, pois envolve avaliação de competências e os compromissos com a geração de resultados, passando por uma real avaliação do valor patrimonial do negocio e as perspectivas de crescimento para o futuro, dentro de um planejamento estratégico bem elaborado.
Mais ainda. O planejamento tem que levar em conta temas delicados como conseguir o equilíbrio entre as necessidades familiares, dos sócios e das demandas de mercado, e o tratamento de demandas delicadas como escolher entre filhos e irmãos em determinadas posições gerenciais, os sonhos e as manias de cada um, as expectativas e as necessidades de cada ramo familiar, sem ferir suscetibilidades e questões do seio da família.
Quem anda folheando as principais publicações econômico-financeiras do Brasil esta podendo observar idas e vindas de grupos muito importantes na economia nacional na questão de comando de empresas e isso acontece no nosso Estado e também aqui no Sul, principalmente em Cachoeiro de Itapemirim.
Nesse caso há temores como dificuldade em enxergar as competências, os interesses de cada um dos integrantes da família, o dialogo, a necessidade do respeito, as diferenças e a importância da construção de um processo em conjunto.
Mais uma vez, importante repetir, a construção deve ser feito em cima do dialogo franco e aberto entre os integrantes das famílias envolvidas.
Depois disso a resultante e a chamada Governança Corporativa e todas as suas linhas conceituais, um tema por demais importante para os tempos atuais, onde a globalização nos atinge de forma objetiva.
Para que estas conversas sejam produtivas, algumas disciplinas ajudam. A definição de qual papel cada um gostaria de exercer na governança é vital. Se o objetivo é ter uma conversa como sócio, deve-se ter uma atitude de sócio. Mudar o comportamento na direção de direitos e deveres de sócio é um desafio, afinal todos estão acostumados com a conversa na casa da avó e fazer reunião com pauta é uma mudança. E surgem aí novas habilidades, um herdeiro terá que rever sua atitude com os pais, irmãos e demais membros da família.
O preparo para cada papel é fundamental. O sucessor deve ter legitimidade entre os familiares, entre os executivos e no mercado
Uma certeza neste processo todo. A certeza não é de não haver dor ou conflitos, mas sim de lidar com as questões de forma profissional, buscando a perpetuação dos negócios e relações mais saudáveis.
Todo este processo requer investimento financeiro, investimento de tempo, ajuda profissional, muito trabalho e diplomacia.
O resultado e que teremos sócios com atitude de sócio, empresas bem lideradas e respeito na família e o mais importante: lucros.
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