Região Sul / ES.,

OPINIÃO

Cumprimento da Lei é dever, coerência e postura


30/7/2010

 

Por Wagner Medeiros Junior

 

Esta semana, em um dos programas esportivos de final de noite, os jornalistas comentaram que voltaram impressionados da África do Sul após retorno da Copa do Mundo. Isto porque não viram nenhum vestígio de briga e confusão entre os torcedores. Como pontos positivos foram observados: a confraternização entre as torcidas e a alegria do povo sul africano. Este quase sempre dançando, movido pelo som das vuvuzelas, com astral contagiante.

 

No Brasil, na última terça-feira, o presidente Lula sancionou a Lei que modifica e amplia o Estatuto dos Torcedores, instituído anteriormente em maio de 2003. Assim, em tão pouco tempo, já tivemos que alterar no nosso estatuto, porque a versão antiga se mostrou branda demais em face da violência quase institucionalizada e da necessidade de criar situações mais favoráveis à imagem do nosso país lá fora, como sede da próxima Copa do Mundo.

 

A nova Lei trouxe mudanças importantes, tais como: a criminalização da violência (não somente dentro dos estádios, mas também no entorno), a punição da venda de ingresso por cambistas e dirigentes, e a penalização de todos aqueles que se envolverem na manipulação dos resultados dos jogos.

 

Desta maneira, as torcidas organizadas, os torcedores baderneiros, os cartolas do futebol, os juízes e seus auxiliares, bem como todos os que infringirem a Lei, estarão sujeitos a penalidades, como por exemplo: a retirada do infrator do estádio à prisão.

 

O ideal seria se esta legislação nem fosse necessária; que as crianças, os idosos e as famílias pudessem ir tranquilos aos estádios; que o exemplo do povo sul africano nos servisse como inspiração permanente. Não há sentido a violência no futebol ou em qualquer outro esporte. Estas duas relações são incompatíveis. No entanto, o que se espera é que esse estatuto seja, de fato, respeitado (que funcione), posto que assistir tanta violência, como atualmente observamos no Brasil, é inaceitável. 

 

Piores são os flagrantes os desrespeitos às Leis. Razão que pode inviabilizar a aplicabilidade e funcionalidade da legislação. Um exemplo recente que de descumprimento da lei, vem do nosso próprio presidente, que deveria dar o exemplo, mas foi multado várias vezes por conta de excessos na campanha eleitoral. É triste assistir esta situação, e pior ainda é parecer um ato normal, quando na realidade não é. Vale repetir que as leis são criadas para ser cumpridas por todos, independente de situação econômica e posição social. 

 

Os bons exemplos deveriam partir primeiramente de cima, começando pelas autoridades. Mas muitas vezes vimos gente aplaudindo, ou também aplaudimos, e achamos bonito determinados atos ilegais, enquanto é um dever respeitar as Leis, bem como uma questão de coerência e postura. Isso também não faz parte do exercício da própria cidadania?

 

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